10º dia
4.700 m
9/1/2004 - Sexta-feira
Gruta do Acaiá e trilha na chuva para Provetá

      Acordamos decididos a conhecer a Gruta do Acaiá. Eu, Cacau e Feio partimos para a trilha, enquanto os outros permaneceram no camping, porém, a trilha estava com muita lama, o que dificultaria a realização da caminhada, devido ao curto tempo de que dispúnhamos, seriam 10 Km só de ida, tínhamos que retornar antes do meio-dia, já eram quase 10 h. Voltamos decididos a ficar em Araçatibinha com o restante do pessoal, quando surgiu em nossa frente a solução para o problema: um barco que iria para Aventureiro e que, após conversamos com o mestre – R$ 5 por cabeça -, nos deixaria na entrada da gruta. Enquanto aguardávamos a saída do salvador, os outros chegaram e a Roberta decidiu ir conosco. Após 20 min estávamos na propriedade que abriga a gruta – R$ 5 para termos acesso –, cuja entrada é feita através de uma passagem no chão entre algumas pedras, descendo por duas pequenas escadas, espremidas por paredes que dificultam um pouco o acesso.


Chegando na Gruta

      Após alguns metros pudemos ver um espetáculo submerso, com a luz do sol refletida na água, formando um neon incrível. Mas o quadro de tirar o fôlego foi visto quando colocamos as máscaras de mergulho e pudemos ver a fenda por onde a luz entrava, guardada por alguns cardumes de peixes. Roberta não queria mergulhar ali, mas após nossa admiração e insistência, acabou cedendo e pôde curtir o show.


O neom, formado pela luz do sol refletida na água

      Seguimos para o camping, onde almoçamos e desmontamos acampamento, meu chocolate morreu para a TPM da Roberta, que já havia chegado. Por volta de 15 h entramos na trilha para Provetá, no mesmo horário que o céu começou a desabar, o caminho parecia um rio, continuamos mesmo assim, com alguns tombos, eu mesmo fechei a trilha com dois no estilo tobogã.


A trilha transformou-se em rio, as havianas resistiram

      Depois dessa loucura somente o Negão restou dos cachorros que nos acompanhavam, que seguia firme à nossa frente. Fernando se contagiou e estava curtindo a situação, Alyne não tanto, mesmo porque o chão enlameado a chamou algumas vezes. Chegamos em Provetá por volta das 18 h, ainda sob chuva, que logo após a nossa chegada no vilarejo parou. Minha idéia era ficar no camping da Gleise, mas quando passávamos pela rua principal da vila de pescadores, nos ofereceram dois quartos a R$ 10 por pessoa, na casa do Mestre Ernani, o mesmo que havia me levado com minhas mulheres alguns dias atrás para a mesma Provetá. Depois daquela chuva era só o que queríamos, negociamos o preço que caiu para R$ 50 para todo o grupo. Logo em seguida, chegou um casal e um outro grupo que também estavam fazendo a volta da Ilha, um dos caras fez a trilha de Machu Picchu com o Dido, uma grande coincidência voltarem a se encontrar em Provetá. Como fomos os primeiros a chegar tivemos a sorte de ficar nos dois quartos existentes, eles tiveram que dormir em barracas. Lá Matamos nossa vontade de comer pão e fomos conhecer a noite do lugar, que, como a anterior foi longa.

      Nos reunimos todos em um barzinho, esse povo gosta de latinha de cerveja, conseguiram fazer uma pirâmide com as vazias, e a partir daquele momento a Ilha balançava igual a um barco em um mar com sudoeste. Fechamos o bar e acabamos parando em outro, onde saboreamos um delicioso peixe na praia – grátis -, oferecido pela bodeguinha onde estávamos. Eu e Feio ficamos mais um pouco conversado com a Gleise e uma amiga sobre viagens e o paraíso que é Ilha Grande. A lua cheia só nos deixou ir embora 3 h da manhã, depois de aproveitar mais um pouco do melhor peixe da Ilha.


Descendo...




Dentro da gruta

      Saímos da gruta e o dono da propriedade disse que chamaria um barco para nos levar até Araçatibinha, enquanto aguardávamos, eu e Feio mergulhamos no lado de fora da gruta, além de muitas estrelas vimos duas arraias sob a água limpíssima. Nossa condução chegou, um barquinho não muito maior que uma banheira, que por pouco não virou quando entramos.


Barco Wilson Dias, nosso transporte de volta para Araçatiba


Alyne e Fernando, já com uma pequena amostra do que os aguardava

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